🎯 TaubaNews #004

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Onde ficam marcados os tiros da semana.

Edição #4 · De 26 de julho a 1º de agosto de 2026


A vaquinha mais cara de pau do Brasil

O Flávio Bolsonaro anunciou uma vaquinha para financiar a campanha dele à Presidência. Pede o dinheiro do seu bolso, em um site de contribuição. Parece humildade, até você lembrar de dois detalhes.

  1. O PL, partido dele, tem o maior fundo eleitoral do país, dinheiro público, na casa das centenas de milhões, para gastar em campanha.
  2. É o mesmo campo bolsonarista que teve o filme “Dark Horse” financiado com R$ 61 milhões ligados ao empresário Daniel Vorcaro, hoje alvo de inquérito da Polícia Federal, num dos maiores casos financeiros recentes.

Ou seja: o dono do maior cofre partidário do Brasil, com a novela do Vorcaro nas costas, passando o chapéu para “fazer campanha”. Não é ilegal fazer vaquinha, mas convenhamos que é de uma cara de pau impressionante. Como diz o ditado: todo dia sai de casa um malandro e um otário. Não seja o otário. Assista aqui


A direita começou a rachar

Foi a semana em que a própria direita passou a dizer, em voz alta, o que muita gente já pensava.

O deputado e pastor Otoni de Paula, ex-bolsonarista, declarou: se o segundo turno for entre Lula e Flávio, ele vota no Lula “pela primeira vez na vida”. E falou até em criar um movimento “Direita com Lula”. Assista aqui

Do lado oposto, a deputada Julia Zanatta, bolsonarista raiz, tentou defender o Flávio e acabou entregando o jogo: disse que a missão é libertar os presos do 8 de janeiro, trazer o Eduardo de volta e tirar o Jair da cadeia. Sem querer, ela provou o ponto: o projeto não tem plano para o Brasil. Só gira em torno de salvar a família. Assista aqui

Dois caminhos diferentes, a mesma conclusão.


MS: os indígenas de olhos abertos

A eleição já pegou fogo em Mato Grosso do Sul. A pré-candidata a deputada federal Viviane Luiza, ex-secretária do governo de Eduardo Riedel (aliado de Bolsonaro), está rondando uma base que historicamente é do campo progressista: os assentamentos e as aldeias.

Só que na assembleia do povo Terena, as mulheres indígenas reagiram e deixaram claro que não vão cair na conversa de “boazinha em ano de eleição”. E o motivo é memória: foi o governo Riedel que mandou viaturas avançarem sobre manifestantes dos povos Guarani e Kaiowá. As imagens correram o estado.

Em campanha, prometem Deus e o mundo; no poder, mandam a polícia. Os indígenas estão de olhos bem abertos, e as mulheres, à frente. Assista aqui


O respiro da semana: os crentes

Nem só de política vive a Tauba. A semana também rendeu a saga dos “crentes”: do agrocrente ao agrogóspel, passando por versões setentistas e até um “gospel proibidão” que é melhor você ouvir sem estar com água na boca. Riso é resistência também. Assista aqui


Os outros tiros da semana

  • A pecuarista que contou a verdade. Juliana Giraldini, produtora rural do Mato Grosso, explicou sem rodeios por que o agro prefere a direita, e não é o dinheiro. O Lula, aliás, bateu recorde no Plano Safra (mais de R$ 600 bilhões somando o agro e a agricultura familiar). O que eles querem é a impunidade: fiscalização frouxa no ambiental e no trabalhista. Não à toa, o agronegócio é o campeão de denúncias de trabalho análogo à escravidão no país. A conta nunca foi sobre grana. É sobre poder “passar boiada”. Assista aqui
  • Duas formas de tratar um filho investigado. Vale rever o contraste: o Bolsonaro, quando um filho é alvo, aparece mandando “trocar o chefe”, “trocar o ministro”. O Lula, sobre a mesma situação, diz que o filho “será tratado como o filho de qualquer pessoa, sem nenhum privilégio”. Duas ideias de poder: uma que se acha dono do Estado, outra que se submete a ele. Assista aqui

Se algum desses tiros acertou, faz o que a gente sempre pede: compartilha. Tem gente que precisa ler isso de olhos bem abertos.

Até a próxima.

Álvaro Marzochi


Por que TaubaNews? Vem da música do Adoniran Barbosa que dá nome ao canal — “meu peito parece uma táuba de tiro ao Álvaro”. Esta é a táuba onde os tiros da semana ficam marcados.